EDITORIAL: E agora, prefeitos?

(Ou: chega de reclamar e bora aplicar?)

Há muito tempo ouvimos, de diversos entes municipais — e até de integrantes de COMTURs — constantes lamentações sobre a falta de repasses de recursos destinados ao turismo nos 214 municípios ranqueados no Estado de São Paulo.

São 78 Estâncias Turísticas e 136 Municípios de Interesse Turístico.

Deixemos de lado, por ora, qualquer consideração sobre o momento político-eleitoral.
Voltemos o olhar para os resultados — ou a ausência deles — diante do aporte superior a R$ 276 milhões destinados à estruturação do receptivo turístico.

Cada Estância Turística recebeu R$ 2,5 milhões.
Cada MIT, R$ 600 mil.

Não é pouco.

Ainda assim, há prefeito que afirma — inclusive em podcasts de credibilidade — que “se fosse preciso, meteria a mão no bolso para a obra não parar”.

A frase pode soar forte, mas é vazia.
Gestor público não pode — nem deve — substituir o dinheiro público por recursos próprios. E nem precisa.

Porque o dinheiro já está lá.
Sempre esteve.

Seja via convênios, verbas impositivas ou emendas parlamentares, trata-se, invariavelmente, do mesmo recurso: dinheiro do povo. Resultado direto de tributos, taxas e do esforço diário da população.

Não existe “dinheiro do prefeito”. Existe gestão do dinheiro público.

E é exatamente aí que mora o problema.

Carlos Drummond de Andrade perguntou: “E agora, José? ” — diante do vazio após o fim da festa.
Nós perguntamos: E agora, prefeitos?

A festa com o dinheiro público não pode começar antes da entrega.
A verdadeira celebração deve ser a inauguração de algo bem feito, planejado, estruturado com respaldo técnico, validado pelos COMTURs e inserido de forma responsável no Plano Diretor de Turismo.

Placa inaugural não é troféu político.
É compromisso materializado.

Mais do que nomes gravados em metal, ela exige responsabilidade, seriedade e respeito com quem financia tudo isso: o cidadão.

Assinar uma obra pública não é autopromoção.
É assinar, em definitivo, a própria biografia como gestor.

E essa assinatura não admite improviso.

Simples assim.

Marcos Ivan de Carvalho
Jornalista especializado em turismo

Gestor de Turismo (IFRJ)

Membro do Conselho Deliberativo da AMITur

 

 

 

 

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